“Estarei com vocês todos os dias, até o fim dos tempos” (Mt. 28,20)
 

 
 
 
 
 

AMOR PELO PARANÁ
A VIDA NO SUBSOLO

*** Por Rodrigo Martins
Fonte: Carta Capital
Data: 04/01/2008


O sofá estropiado no subterrâneo é o lar da jovem Suzana - ©foto: Jesus Carlos/Imagemlatina

 


Dez homens e mulheres que dormem sob o chão paulistano são um triste retrato da situação dos 13 mil moradores de rua que vivem na cidade

O acesso à maloca é um buraco com pouco mais de 1 metro de diâmetro, escavado sob a terra. Para entrar, é preciso esgueirar-se entre as pedras e o barro. Dentro do vão do viaduto, lacrado por paredes de concreto, todos andam agachados e, em determinados pontos, quase de joelhos no chão, para não bater a cabeça no teto. A qualquer hora do dia, o ambiente é úmido. Escuro. Apenas a luz de velas orienta os passos de quem percorre o subterrâneo, onde vivem dez dos mais de 13 mil moradores de rua da capital paulista.

Alemão é o chefe do espaço, “maloca” para quem nela habita. Ao perceber a aproximação da visita, esconde o cachimbo de crack embaixo de uma bancada de madeira. “Pode entrar sem grilo”, anuncia o anfitrião, cujo nome de batismo é Valdenir de Souza. Ele tem 30 anos e, há oito meses, dorme num sofá estropiado, com a namorada Suzana Gonçalves, de 18 anos.

Antes do buraco, Alemão passou um tempo no albergue do Glicério e nas ruas do centro da cidade. Sente-se mais seguro debaixo da terra. “O albergue tem muita encheção de saco e, nas ruas, não dá para dormir tranqüilo. É muito gambé (policial) dando esculacho, um monte de ladrãozinho à solta”, comenta o rapaz de olhos claros, as pontas dos dedos amareladas.

Apesar da aparente tranqüilidade do lugar, Alemão dorme com uma faca próxima do corpo. “Todo maloqueiro tem um estilete, mas é para proteção”, justifica-se. Para alimentar a barriga e o vício do crack, carrega caixas de legumes e verduras no Mercado Municipal, das 8 da noite às 4 da manhã. Recebe 100 reais por semana de trabalho. A comida costuma ser farta nas “bocas de rango”, os locais que distribuem refeições gratuitas para os desabrigados. Nos dias escassos, acende um fogareiro e improvisa algo. Impaciente com as perguntas sobre a vida pessoal, encurta a entrevista. “Acho que já está bom, não é? Agora você sabe como é morar no buraco. A gente vive igual bicho.”

Mais receptivo, o camelô Francisco Hilário da Silva, de 49 anos, não se importa de falar sobre o passado. Chiquinho passou uma temporada na cadeia por tráfico de drogas. Ao ganhar liberdade, há um ano, procurou abrigo no buraco. “Antes, eu vendia até 400 reais em pedra de crack por noite. Agora, tô limpeza. Só vendo cachaça na rua.” Os lucros do comércio ambulante são bem mais modestos que a venda de drogas, em média 20 reais por dia. Mas os gastos do vendedor também são baixos. Três reais por refeição no botequim e, às vezes, um pouco mais em pesticidas, para impedir a proliferação de ratos e baratas no local. Um balde de água garante o banho matinal. “Como a vida é modesta, dá para guardar um trocado. Mas, sempre que tento me reerguer, dá alguma zebra. O rapa (serviço de fiscalização da prefeitura) confiscou meu carrinho seis vezes.”

O professor de capoeira Wellington dos Santos, de 41 anos, foi o responsável pela aproximação do repórter com os moradores do buraco. Atualmente, ele passa as noites num albergue da região central. Um ano atrás, dormia no subterrâneo de Alemão. Capoeira, como é conhecido, era cabo do Exército no município de Xique-Xique (BA). Migrou para São Paulo e montou uma academia de luta. Abandonou o estabelecimento quando um grupo de traficantes transformou o local em boca-de-fumo. Ele próprio viciado em drogas, viu, rápido, a vida desandar. “Não demorou para eu parar nos buracos da cidade.”

Capoeira diz que havia dezenas de galerias subterrâneas na capital habitadas por moradores de rua. Com as reformas do projeto de revitalização do Centro, a prefeitura fechou a entrada da maioria dos buracos. “Ainda tem muitas malocas debaixo da terra. Eu é que deixei de freqüentá-las.” E não por um motivo qualquer. Quer ficar afastado do crack, que abandonou há oito meses. “Agora, só tomo uma cervejinha.”

Boa parte das malocas subterrâneas é dominada por dependentes químicos, que realizam pequenos furtos para financiar o vício. Também há mendigos e trabalhadores informais que dividem o espaço com os viciados. Podem, eventualmente, ser alvo da ira de quem está alterado pelas drogas. Ainda assim, consideram-se mais protegidos do frio, da chuva e da violência das ruas. Quem descreve o cenário é Fabiano Lima, de 40 anos, que vive debaixo de marquises paulistanas desde a infância. Até algumas semanas atrás, dormia num duto subterrâneo. Parou quando soube da morte de um conhecido na entrada do buraco. “Enfiaram a faca na barriga dele.”

Apesar do incidente, uma rixa entre moradores de rua, Fabiano diz serem raras as brigas. “O dono da maloca põe ordem na casa. Não deixa ninguém pegar nada do outro. O que eles fazem para bancar o vício não é problema meu.” Para conter a invasão da polícia, os moradores montaram um esquema de guerra. “Tem até pneu para fazer barricada. Se os maloqueiros quiserem, podem cortar os cabos de telefonia que passam pelo duto.”

Se nos subterrâneos existe uma ordem paralela estabelecida, nas ruas a situação não é diferente. Os moradores de rua procuram dormir em grupos, até para se proteger de roubos, de desafetos e, segundo relatos recorrentes, das agressões de policiais e funcionários da prefeitura. Cada maloca, como são chamadas as linhas imaginárias que determinam os pontos de repouso nas calçadas, tem um “chefe”. Eles não cobram aluguel, mas determinam as regras de convivência. Geralmente, viciados e trombadinhas não se misturam com moradores comuns, que vivem de esmolas, da coleta de material reciclável, do comércio ambulante ou de bicos variados.

Blusa rasgada, calça suja de tinta, barba rala, apresento-me como um migrante desabrigado para um grupo de moradores de rua que vive no entorno do Pateo do Collegio, cartão-postal da cidade, próximo à Praça da Sé. Estou acompanhado de Fabiano, o único que, naquele momento, sabia que eu era repórter. Passa das 7 da noite e a temperatura começa a cair. “Trouxe um cobertor?” Esqueci desse detalhe. O dinheiro que carrego no bolso é insuficiente para pagar os 29 reais cobrados por uma loja em troca de uma manta de solteiro.

Também desprotegido, Fabiano não se abala. Toma o rumo da Igreja de São Francisco de Assis e procura pelo frei Marcos Melo. O religioso traz dois cobertores e um saco de pães. Fabiano agradece e comenta: “Sensacional. O frei deu um poodle, e não um lulu”. Demoro a entender o comentário. Ele explica que, geralmente, os beneméritos doam cobertores de feltro, que soltam fiapos na blusa durante o sono. É o lulu. O poodle é uma manta rala. Protege do frio das noites mais amenas e não solta pêlo. Há ainda o rotweiller. “São os cobertores mais grossos. Esses são raros.”

De volta à rua Anchieta, uma pequena via que liga a rua 15 de Novembro ao Pateo do Collegio, sentamos para bater papo com Maranhão, um sujeito de barba e cabelos fartos, e Urso, um homem negro e de fala mansa. Como quase todos os que vivem na rua, têm apelidos. Não nomes. Eles aguardam a hora da quentinha chegar. Maranhão nos oferece um pouco de pinga, gentileza retribuída com cigarros.

Enquanto especula-se sobre o que virá na marmita, pergunto se é tranqüilo dormir por ali. “Agora está, mas há uns dois meses o pessoal do rapa veio aqui com a Guarda Civil Metropolitana. Acordei com chutes. Tomaram as coisas de todo mundo. Levaram cobertores e até a sacola de roupas de um senhorzinho”, diz Urso. Na mesma noite, ele fez um boletim de ocorrência na polícia. “Vamos ver que bicho vai dar”, comenta, incrédulo. A conversa é interrompida com a chegada da refeição, oferta de um grupo de evangélicos. Arroz, salsicha, batata e cenoura.

Após a distribuição da comida, os religiosos fazem uma oração. Abandono o grupo ao ver, na praça, dois homens da Central de Atendimento Permanente (Cape). São os agentes de proteção social que, segundo a cartilha da prefeitura, deveriam abordar os moradores de rua e tentar convencê-los a dormir num albergue. Ou, então, encaminhá-los para algum serviço de assistência especializado, como uma casa de cuidados de saúde.

Não foi o que aconteceu naquela ocasião. Em vez de abordar os desvalidos, esses é que cercaram os agentes da prefeitura, por volta das 9 e meia da noite, à caça de cobertores e pernoites em albergue. No meio do bando, pergunto se há vagas. “As últimas cinco foram preenchidas no Glicério, com o pessoal que tem mais de 40 anos. Outra viatura deve passar aqui mais tarde. Talvez tenha alguma coisa.”

Até a meia-noite, os funcionários não dão as caras. Ainda acompanhado de Fabiano, acordamos Maranhão e pedimos para passar a noite em sua maloca, a calçada do Primeiro Tribunal de Alçada Civil do Estado de São Paulo. “Só não encosta nos meus pés que eu me assusto fácil”, alerta, com um porrete de madeira na mão.

Fabiano cai no sono rápido. Eu permaneço acordado por mais tempo. Ao que parece, Maranhão também. Ao perceber a aproximação de um maltrapilho, por volta da 1 da manhã, ele esbraveja. “Vou dar a letra que é para não ter confusão. Pode dormir aí. Mas vai mijar na esquina porque tem gente que deita nesse canto.” Insone, ele liga o rádio e sintoniza a Tupi FM. A dupla sertaneja Bruno e Marrone embala a noite.

As versões sobre os motivos que levam um cidadão para a rua são variadas. Fabiano brigou com a família. Urso perdeu o emprego de auxiliar de limpeza. Já o catador de lixo Valdemar de Carvalho, de 42 anos, considera-se uma vítima de Fernando Collor. No início da década de 90, ele trabalhava numa metalúrgica e acumulou pequenas reservas no banco. Perdeu o emprego e foi despejado da pensão onde morava. Falta de pagamento. “Eu tinha uns três meses de aluguel na poupança, mas o presidente confiscou.” Até hoje, ele não viu a cor do dinheiro. “Já estou acostumado às ruas. Só tenho medo dos grupos de extermínio”, diz, antes de guardar uma sacola de roupas num bueiro, o seu “guarda-volumes”.

O temor o persegue desde agosto de 2004, quando soube da morte de sete moradores de rua a golpes de cacetete no Centro. Após as investigações da Polícia Civil, o Ministério Público do Estado de São Paulo denunciou cinco policiais militares pela chacina. “Tudo leva a crer que um dos policiais era traficante e decidiu matar quem lhe devia dinheiro. Também matou gente que só estava no lugar errado”, explica o promotor Maurício Ribeiro Lopes. Até agora, só o PM Francisco Eduardo da Silva foi condenado a 19 anos de prisão pelo assassinato de uma testemunha. Os demais aguardam julgamento.

Todos os anos, a Pastoral do Povo da Rua organiza uma vigília na escadaria da Catedral da Sé para lembrar o massacre. Cristiano Leandro Braz, de 20 anos, é morador de rua e participou do último ato, em 19 de agosto. No mesmo dia recebeu ameaças de um PM. “Estava descendo uma ladeira e ele disse: ‘É melhor vocês irem morar no Brás. Tô avisando’.” Sem dar atenção ao recado, dormiu debaixo do pontilhão da avenida 23 de Maio. Estava acompanhado de dois amigos. Por volta da 1 e meia da manhã, dois policiais chegaram e os agrediram com golpes de cacetete. “Engatilharam a arma e mandaram a gente correr. Cada um foi para um canto.”

Apesar dos problemas com policiais militares, muitos moradores de rua concordam num ponto: os maus-tratos infligidos por funcionários da prefeitura e de agentes da Guarda Civil Metropolitana são mais recorrentes. Dias depois de dormir na maloca de Maranhão, volto ao local. Como jornalista. Ao revelar a identidade, um dos moradores esbraveja e exige anonimato. Maranhão olha com indiferença e se fecha em copas. Urso resolve falar. Seu nome é Wesley Francisco da Silva. Tem 41 anos e já morou no albergue Arsenal da Esperança, onde lutava contra os percevejos que se alastravam pela cama.

Há cinco anos, vive nas ruas. E garante que nunca passou por uma situação semelhante à da noite em que teve a coberta confiscada. “O pessoal fica meio cabreiro com repórter porque o bicho sempre pega pro nosso lado. Uma semana depois que a gente deu uma entrevista para um jornal, o pessoal da prefeitura passou a lavar a calçada às 3 da manhã. Demorou um tempo para tudo voltar ao normal.”

De acordo com o inspetor Dalmo Luiz Coelho Álamo, comandante operacional da Guarda Civil Metropolitana no centro de São Paulo, existem dez denúncias contra agentes da GCM na corregedoria. “A maioria dos conflitos acontece quando os funcionários da prefeitura tentam remover sofás, barracos improvisados ou objetos que impedem a passagem das vias públicas”, diz, com linguagem fardada. “Às vezes, a remoção tem de ser feita à força.”

No relatório de atividades da Secretaria Municipal de Assistência e Desenvolvimento Social (Smads) de agosto, há o relato de um conflito entre guardas municipais e um agente de proteção social, contrariado com a abordagem dos policiais a um grupo de moradores de rua. O servidor bradou quando guardas e funcionários de limpeza pública confiscaram objetos dos desabrigados. Acabou detido.

Na Ouvidoria da Prefeitura, boa parte das queixas registradas pela população de rua está relacionada a maus-tratos e precárias condições de higiene e infra-estrutura nos albergues. Essas denúncias correspondem a 30% das 281 reclamações protocoladas contra os serviços de assistência social do município em 2007. A falta de vagas na região central também é uma reclamação constante.

Em dois dias diferentes, procurei auxílio dos agentes de proteção social, mas não havia vagas disponíveis para jovens. Em outra ocasião, após 40 minutos de espera na porta do albergue Cirineu, região central de São Paulo, também fui dispensado, com outros 30 desabrigados. Para garantir uma vaga no albergue Arsenal da Esperança, mantido pelo governo do Estado, foi preciso passar por uma longa triagem, das 6 da manhã às 2 da tarde.

Para muitos, o esforço vale a pena. É bom contar com um prato de comida, uma cama estofada e até mesmo área de lazer, com direito a tevê e biblioteca. Mas nem tudo são flores. A temperatura do banho oscila entre o frio cortante e o morno redentor. A área do chuveiro é dominada por uma espessa camada de sujeira. Quanto aos percevejos sobre os quais Urso tanto me alertou, não os vi. Mas a recomendação de um colega de quarto me faz crer na veracidade do relato: “Olha o lençol antes de dormir. Vira e mexe isso aqui fica infestado de muquiranas. Coça igual a peste”.

O professor de capoeira Wellington diz passar por problemas piores no Cirineu. “É tudo uma imundície. Às vezes, chega a transbordar cocô do vaso sanitário. Os monitores são estúpidos. Tratam todo mundo feito bicho. Evito entrar em choque com eles porque a minha mulher está grávida e temo que a gente possa ser expulso.”

O secretário municipal de Assistência Social, Floriano Pesaro, diz-se surpreso com a dificuldade de encontrar vagas em albergues. “Temos 8 mil camas disponíveis e cerca de 200 permanecem ociosas todas as noites, exceto nas madrugadas de frio intenso.” Em 2003, a Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe) realizou um censo na capital paulista e identificou mais de 10,7 mil moradores de rua. Hoje, segundo estimativas oficiais, o número é superior a 13 mil. Mesmo quando os albergues estão lotados, cerca de 5 mil habitantes de São Paulo continuam a dormir debaixo de viadutos e marquises.

A promotora de Justiça Fernanda Leão, que coordenou o Grupo de Atuação Especial em Inclusão Social, do Ministério Público paulista, até setembro deste ano, diz ter alertado a prefeitura sobre o problema. “Encaminhamos proposições para o Executivo municipal ampliar as vagas nos albergues e apurar as condições de higiene e infra-estrutura.” De acordo com ela, a Lei Municipal nº 12.316/97 assegura uma série de direitos aos moradores de rua, incluindo um regime de progressão que obriga a prefeitura a oferecer vagas em albergues, moradias provisórias e alternativas de habitação e trabalho. “O problema é que o percurso de reinserção social é interrompido no meio do caminho, com a falta de residências provisórias e soluções de moradia para quem tem baixa renda.”

Mas o secretário Pesaro diz que a expansão das vagas em albergues não modificará a situação. “Hoje, cerca de 30% das camas são ocupadas por quem nunca morou nas ruas. Ainda há muita resistência dos desabrigados em aceitar ajuda. O gasto com o aparato de proteção social é de 4,5 milhões de reais por mês.” Na avaliação dele, o problema também é uma questão de saúde pública, já que 70% da população de rua, segundo estudos da prefeitura, tem transtornos psiquiátricos ou dependência de álcool e drogas. “Se perguntar a eles qual é a razão de estarem nas ruas, dirão que é falta de emprego. É mentira. Em 2005, abrimos 1,5 mil vagas em frentes de trabalho e apenas 300 funcionários permaneceram no batente até o fim.”

O coordenador do Movimento Nacional da População de Rua, Anderson Miranda, contesta o argumento. “As frentes de trabalho duram pouco e o salário é baixo, muitas vezes não passa de 210 reais. Depois de alguns meses, o funcionário volta ao desemprego. Catar latinha pode ser mais vantajoso.” Integrante de um grupo de trabalho interministerial em Brasília, ele luta para a criação de políticas públicas para os desabrigados.

Enquanto a sobrevivência dos moradores de rua continua atrelada a trabalhos temporários e informais, eles próprios tentam se organizar para conquistar uma vida mais digna. Além das cooperativas de coleta de lixo, há quem se aventure a montar empresas solidárias. Essa foi a opção do casal Jane Ribeiro e Eurípedes da Silva. Eles desenvolveram uma técnica para fabricar luminárias com bagaço da cana-de-açúcar. Ex-moradores de rua, agora abrigados num prédio ocupado pelos sem-teto no centro da cidade, pretendem montar uma oficina-escola voltada aos desabrigados. “A idéia é que cada aluno domine a técnica e possa abrir a própria empresa em outra comunidade”, explica Jane.

Os percalços para a efetivação do projeto já aparecem. Eles têm 65 modelos fabricados e não encontram um lugar para expor e vender as luminárias. “Mas tenho fé de que vamos conseguir. Quem sabe não montamos uma rede nacional de empresas solidárias para exportar nossos produtos. Já imaginou um francês comprar uma luminária feita por um maloqueiro das ruas de São Paulo?”, empolga-se a empreendedora. “O curioso é que sempre fomos tratados como lixo e parece ser o lixo o caminho da nossa emancipação.”