“Estarei com vocês todos os dias, até o fim dos tempos” (Mt. 28,20)
 

 
 
 
 
 

AMOR PELO PARANÁ
DESPERDÍCIO DE ALIMENTOS, FALTA DE CONSCIÊNCIA SOLIDÁRIA E ÉTICA SOCIAL

*** Por JOÃO REGIANI, advogado.
Fonte: http://joaoregiani.blogspot.com.br/
Data: 29/06/2012


FAO: um terço dos alimentos são disperdiçados no mundo

 


Neste último final de semana almoçando em família em um determinado restaurante da cidade, ocorreu novamente um fato que tem me chamado muito atenção repetidamente em restaurantes, festas e eventos públicos em que são servidos alimentos; qual seja: pratos repletos de sobras de alimentos sendo recolhidos para serem literalmente esvazidos no lixo.

Presenciamos em família aquelas cenas com verdadeiro pesar no coração, ainda mais no momento em que estamos vivenciando com muita proximidade as misérias que tem passado dois moradores de rua que a bem pouco tempo passaram a "residir" próximo da nossa casa.

Diante daqueles fatos me senti motivado a pesquisar um pouco sobre o assunto relacionado ao disperdício de alimentos, o qual eu já imaginava se tratar de algo extremamente grave, mas que me deixou horrorizado com as informações que obtive em simples e rápida pesquisa sobre o tema.

Para se ter uma idéia, segundo estudos feitos ultimamente pela FAO ("Food and Agriculture Organization of the United Nations" - Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação) em torno de 1/3 (um terço) dos alimentos são despediçados no mundo nas diversas etapas de transporte, produção e pelos consumidores finais propriamente dito. Isto significa algo em torno de 1,3 bilhão de toneladas de alimentos disperdiçados por ano no mundo.

O relatório da PNUMA ("Programa das Nações Unidas Para o Meio Ambiente"), elaborado este mês na Rio +20, afirma com base em estudos técnicos que a segurança alimentar da humanidade está ameaçada, sendo que um dos fatores para isto é justamente o desperdício anual de alimentos existente no mundo todo, na escala bilionária acima referida (veja a matéria aqui).

Para Achim Steiner, subsecretário-geral da ONU e diretor executivo do PNUMA “a era da produção aparentemente interminável baseada na maximização de insumos como fertilizantes e pesticidas, minando reservas de água doce e terra arável fértil assim como os avanços ligados à mecanização, está chegando ao limite, se é que já não o atingiu”.

Estudos técnicos globais ambientais existentes apontam para o fato de que diversas fontes naturais necessárias à sobrevivência do homem se encontram nos seus limites ou em vias de chegarem a estes. Como é o caso, exemplificativamente, dos alimentos e da água doce, sendo esta (água doce), também, objeto de utilização irracional e exauriente em diversas regiões do nosso País, que já começam a dar sinais de níveis baixíssimos de reservas naturais (p. ex: diversas regiões do Rio Grande do Sul).

Por aí se vê que os nossos governantes, e especialmente os cidadãos, tem o dever moral de mudar radicalmente de conduta em relação às questões ambientais que até agora vem sendo relegadas a plano de pouquíssima expressão na escala de preocupações governamentais, coletivas e pessoais; a começar nas casas, passando pelos clubes sociais, indo até os condomínios, cidades, metrópoles, enfim, se propagando por todos os lugares onde a poluição de mananciais aquíferos, o desperdício de alimentos, o desmatamento e demais depredações ambientais vem sendo praticadas pelo homem como que se tais imoralidades e sacrilégios ambientais fosse algo aceitável.

Devemos nos autoeducar e educar os nossos filhos com ênfase redobrado, a fim de ser efetivamente criada consiciência social solidária que não permita mais que pratos e travessas repletos de alimentos sejam atirados ao lixo como se lixo fosse. Devemos, enfim, nos transformar em "homens humanos", dotados de mais ética social, que é o que reamente está tardando a acontecer.